qualquer coisa
num verso intitulado mal secreto
 

26.2.09


[12:27 AM]




 


é isso aí, bicho

 

12.2.09


[2:53 PM]

Como enrolei para postar aqui a lista dos melhores filmes que eu vi ano passado, acabei desistindo e resolvi divulgar apenas meus votos para as categorias mais importantes do Alfred, o prêmio criado pela Liga dos Blogues para eleger só o fino da bossa que passou pelos cinemas brasileiros em 2008. A maioria esmagadora dos filmes que eu cogitava assistir para votar foi alcançada (com o acréscimo de A Questão Humana essa madrugada, mas que não acabou adiantando muito, já que o filme só disputa a categoria de Melhor Ator), por isso acho que dá pra ter uma idéia do tipo de cinema que eu valorizei e que considero importante para traçar um perfil dessa década que se aproxima do fim. Não consegui fugir de algumas obviedades na hora da decisão, como a lembrança do também onipresente Heath Ledger ou a coroação da atuação agressiva do Day-Lewis (embora eu prefira o cara em Gangues de Nova York - essa sim a interpretação masculina da década) no filme meia-boca do P.T. Anderson. Injustiça mesmo foi não ter lembrado de eleger durante a primeira fase o momento em que o cinema atingiu seu auge no ano, que se deu ao longo da sequência de luta na sauna em Senhores do Crime. Pois bem, com esse equívoco devidamente corrigido, segue abaixo a listinha que coroa os maiores motherfuckers do cinema em 2008:




FILME DO ANO
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

DIREÇÃO
Gus Van Sant, Paranoid Park

ATOR
Daniel Day-Lewis, Sangue Negro

ATRIZ
Carice Van Hounten, A Espiã

ATOR COADJUVANTE
Heath Ledger, Batman - O Cavaleiro das Trevas

ATRIZ COADJUVANTE
Marcia Gay Harden, O Nevoeiro

ELENCO
Não Estou Lá

CENA DO ANO
A luta na sauna, Senhores do Crime

ROTEIRO ORIGINAL
Não Estou Lá

ROTEIRO ADAPTADO
Onde os Fracos Não Têm Vez

FILME BRASILEIRO
Encarnação do Demônio

FOTOGRAFIA
Paranoid Park

MONTAGEM
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

PIOR FILME
10000 A.C., Roland Emmerich



 


é isso aí, bicho

 

10.2.09


[11:48 PM]


1) Onde está o jornalismo em Medo e Delírio em Las Vegas? Sei que o gonzo é a radicalização dos propósitos estabelecidos pela galera que seguiu as idéias do manifesto escrito pelo Tom Wolfe, mas o que eu li no livro do Thompson praticamente joga todo o conteúdo factual e objetivo que supostamente existe na narrativa para a porta dos fundos e não está nem aí para isso: não há quase nada de observações concretas, o tema do livro (a cobertura de uma corrida de motos no deserto seguida de um seminário sobre drogas pesadas) é distorcido e contextualizado subjetivamente, com uma visão quase indiferente - o que, não vou negar, me decepcionou um bocado. Publicado em livro, pode facilmente esbarrar em Bukowski ou Burroughs na estante dos mais desavisados (e isso não se parece em nada com um elogio, já que os livros de ambos os bebuns não fazem a minha cabeça). Mas como era uma matéria, publicada numa revista, dividida aos capítulos, as coisas soam diferentes. Pergunto eu: onde fica o jornalismo ali?

2) O gonzo realmente existe ou é só uma forma alternativa de fantasiar a ficção, borrar fronteiras antes impermeabilizadas por preconceitos, visões limitadas, conformismo e outras mumunhas mais?

3) O gonzo morreu?

Por enquanto, o sinal continua fechado. Não precisamos de respostas definitivas e nem as queremos, mas Anna Karina e eu continuamos atrás delas, famintos.



 


é isso aí, bicho

 

9.2.09


[1:39 AM]

Quando eu vejo o trabalho de espetacular imersão na personagem que a Juliette Binoche exerce em A Viagem do Balão Vermelho, carregando a ironia maior de ir contra o que os manuais expressivos de representação pregam, é que eu me vejo mais afastado desses filmes de Oscar que estão em cartaz - cujos títulos eu sempre confundo -, que todo ano provam a onipresença irritante da Meryl Streep e do Philip Seymour Hoffman, pra ficar em apenas dois nomes. Simplesmente não consigo olhar para Meryl Streep e ver um personagem na tela, qualquer que seja. O que eu vejo em todos seus filmes (à exceção de As Pontes de Madison, sua última grande atuação) é Streep fantasiada, de freira durona ou editora diabólica, calculando minuocisamente as contenções, explosões ou outros movimentos faciais e corporais que vão guiá-la até sua 87ª indicação ao Oscar de melhor atriz. Esse falso naturalismo encheu o saco. A fantasia não cola mais. Onde está Gena Rowlands para ensinar essa gente toda a atuar, a esquecer que há uma câmera, uma claquete e um grito de "ação!" e que, mais consistente do que esse frágil modelo de representação (que pode facilmente decretar falências artísticas devido ao seu caráter fraudulento - Kidman, Zellweger, Jolie, Carrey etc.), não só cria uma ponte ainda maior entre cinema e espectador como também coloca todo um conceito de atuação estabelecido e consagrado em plena crise? É o conflito que faz engrandecer qualquer discussão. Binoche some no filme, sua generosidade é tão bem colocada em cena que ela honra os limites de sua imagem e acaba assim riscando exageros e outras firulas de seu dicionário expressivo. As nuances são todas certeiras. A moça flutua entre pólos opostos da subjetividade feminina moderna sem em momento algum apelar por um espaço maior em cena, pela atenção individual do espectador ou do texto em si. A tradução corporal de seus conflitos emana uma grandeza de alma que só as grandes atrizes possuem. Hoje, no mundo, ninguém está no páreo dela e de Isabelle Huppert. Não só pelas atuações, mas pelas escolhas, pela ousadia artística e por saberem, antes de tudo, respeitar seus personagens. O que Binoche faz na tela justifica adequadamente a existência da palavra sinestesia, e ainda é capaz de legitimar as pretensões do cinema enquanto arte maior - vide qualquer fotograma de A Viagem do Balão Vermelho, um filme para se carregar apertado, embaixo do braço, pelo resto da vida.



 


é isso aí, bicho

 

4.2.09


[3:07 PM]

O Gladiador chega a arena...

...para transformar o Mineirão no Coliseu e trazer a Libertadores de volta para casa.




 


é isso aí, bicho

 

2.2.09


[2:57 AM]

Mistério sempre há de pintar por aí, não é? Pois ontem eu já estava quase batendo cartão quando o Caetano Veloso resolveu dar as caras por lá, beirando a meia-noite, só para revolver aqueles tiques nostálgicos que eu tento ao máximo empurrar para debaixo do tapete mas que vez em quando emergem em meio à desordem da minha estante de livros. Insatisfeito, fazendo-se valer de uma atitude tipicamente provocativa, como a que emana de toda a sua arte, o cara ainda fez questão de me desafiar, inconsciente e discretamente, levando para casa um daqueles maravilhosos boxes que a Criterion fez do John Cassavetes - como se soubesse de tudo -, enquanto eu vasculhava as quinas e os cantos da minha mente pensando em algo interessante para puxar papo. Como era de se esperar, não falei nada, apenas me contentei em observá-lo (tal qual Talese fez com Sinatra antes de escrever seu famoso artigo), trancafiá-lo na jaula e lançá-lo para exposição no meio daquele covil de pessoas sedentas por informação. Só vi Caetano no palco duas vezes, ambas ano passado, durante a turnê de divulgação do Cê. E o que ele traz consigo durante a perfomance vai além da música: começa na intensidade da voz, se estende pela presença de palco (é só um jeito de corpo?), passa pelas conversas com a platéia e deságua numa carga memorial de um período que os livros de história geralmente resumem em duas ou três linhas, mas que refletiram incidentemente nessa galera que tá aí hoje, almejando não as rédeas do poder, como em 68, mas sim uma posição dentro da esfera política de modo a usufruir e fazer parte desse poder. Falam muito em perda de ideais, ignorância, alienação, e eu assumo parte dessa debilidade - mas não é que a culpa seja única e exclusiva nossa: são as consequências de um projeto neo-liberal se agravando e cobrando a sua parcela da conta. Às vezes as maiores reflexões acontecem assim, com um simples objeto ou acontecimento capaz de catalisar pensamentos e provocar mergulhos que não vêm isentos de sentimentos intransigentes, como a decepção ou o regozijo. Ver o Caetano ali, na minha frente, me fez lembrar das minhas noites em terras capixabas, uns três anos atrás, deslumbrado com a Tropicália e suas rebeliões, entre garrafas de cerveja e lamentações por ter nascido tanto tempo depois. Hoje, passada uma parte do turbilhão que marcou aquela fase e todas as descobertas de Brasil e de mundo, sei que não é de todo tarde, que ainda tô em tempo de Caetano. Um tempo que não irá revivê-lo ou remontá-lo, mas que me permite encontrá-lo num sábado à noite, por entre fotos e nomes, capaz ainda de me levar de volta para casa com os olhos em chamas e a cabeça fervilhando de idéias, pensamentos, cores e mictórios.



 


é isso aí, bicho

 

 


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