qualquer coisa
num verso intitulado mal secreto
 

25.10.11


[4:28 PM]

Balanço final do Festival do Rio

Não assisti muitas coisas por falta de tempo e de dinheiro (continuo achando um afronte ter que pagar 10 pratas de meia-entrada em um evento que recebe investimento público, e como não tenho credencial de imprensa e trabalhar de graça para eles em troca de passe livre nas sessões tá bem longe dos meus interesses, o jeito foi fazer uma boa triagem na programação), mas no fim das contas a média foi bem positiva. Eis os filmes vistos:

- O Fim do Silêncio, de Roland Edzard (2011)
Nervoso, com uma câmera que não para um instante sequer e quase sem diálogos, tinha tudo para dar errado, mas a expressividade dos atores, o ritmo ágil e o tom seco conferem à narrativa uma densidade que sustenta e evidencia suas qualidades.

- Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin (2001)

- O Cavalo de Turim, de Bela Tarr (2011)

- O Tango de Satã, de Bela Tarr (1994)

- Prelúdio Para Matar, de Dario Argento (1975)
À meia-noite, no Odeon, cópia linda em scope, numa sessão apresentada pelo próprio Argento. Como diria Ed Motta: deepy!

- As Canções, de Eduardo Coutinho (2011)

- Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca(2011)

- Drive, de Nicolas Winding Refn (2011)

- A Separação, de Asghar Farhadi (2011)

- Um Método Perigoso, de David Cronenberg (2011)
Atípico em sua filmografia, porque mais próximo de um modelo clássico narrativo, este é um filme centrado na força do texto. E diante do poderoso material escrito que tinha em mãos, Cronenberg encontrou a forma ideal para construir um enredo de tensões e desafios através de uma linguagem objetiva, direta, pontuada de maneira sutil por questões ligadas ao corpo, organismo central de seu cinema. A rever quando estrear.

- Inquietos, de Gus Van Sant (2011)
Bomba. Run run run run run and take a drag or two.



 


é isso aí, bicho

 

19.10.11


[6:14 PM]

A Separação, de Asghar Farhadi (2011)
Fui ao cinema de teimosia, morto de sono, mas não quis perder a chance de assistir ao novo filme do iraniano Asghar Farhadi. Quem diria que um dia eu esperaria com ansiedade por um filme iraniano. O lance é que o longa anterior do sujeito, Procurando Elly, um suspense hitchockiano de primeira, me pegou de jeito. Foi contra todas as expectativas que eu reservava às produções cinematográficas vindas das bandas de lá. Nada de aridez, discursos políticos inflamados, calor ou a postura vitimizante que a imprensa ocidental costuma vender do país em função de seu governo. Uma história de mistério, trabalhada nas relações entre os personagens a partir do cotidiano de jovens iranianos e com um corte herdado de Rebecca – A Mulher Inesquecível, primeiro filme norte-americano de Alfred Hitchcock. A história de A Separação, tal qual a de seu antecessor, parte da ausência. Quando a mulher resolve pedir o divórcio para deixar o país em busca de melhores condições de vida, o homem, resoluto, decide arcar com as responsabilidades e permanecer no Irã em função de seu pai, que tem Alzheimer. A mulher se desloca dentro da narrativa, mas não para fora, como Elly, e sim para o fundo. Sua presença paira no ar como a causa e a possível solução para todos os problemas. Começa então uma reflexão sobre as disposições sociais atravessadas pela mentira, pela religião e por conceitos éticos, todos filtrados pelo olhar não corrompido de duas crianças. Em tempos de fragmentação e sobrecarga de informações, um dos antídotos usados por vários cineastas contemporâneos está na proposição de uma composição de imagem calcada em planos longos e estáticos, onde pouca coisa parece acontecer. Farhadi vai na contramão. É um cineasta de planos curtos, rápidos, de cortes secos que alimentam a tensão e adiam a conclusão dos conflitos (alguns até por tempo indeterminado, como mostra o último plano do filme). E sabe filmar muito bem dentro dessa proposta. Em momento algum soa afobado ou com pressa de concluir os conflitos que se ramificam e se intensificam a cada encontro. A primeira cena já nos dá a noção de que o texto é um dos pontos fortes do filme, e a maneira com que Farhadi articula o fluxo de acontecimentos por meio de situações poderosas, que questionam conceitos de integridade pessoal e impedem a harmonia social, ancorado por um elenco soberbo, justifica o prêmio de melhor filme no Festival de Berlim este ano e afirma A Separação como uma das mais potentes obras da atualidade.




 


é isso aí, bicho

 

18.10.11


[12:18 AM]


O Cavalo de Turim, de Bela Tarr (2011)
Um episódio ligado aos últimos dias de lucidez de Nietzsche serve de catalisador para esta obra de imagens poderosas, que já no primeiro plano impressiona pela força com que se impõe diante de nossos olhos. Diz-se que Nietzsche, ao sair de casa num dia comum, viu um cocheiro espancando a chicotadas um cavalo que recusava mover-se de seu lugar. Após impedir que o ato de brutalidade se prolongasse, o filósofo abraçou o pescoço do animal e pôs-se a chorar, no que foi conduzido de volta a casa antes de mergulhar em um silêncio que durou dez anos e que culminou com sua morte. Por toda sua carga simbólica, o fato por si só é de uma densidade cortante, ainda mais se levarmos em conta que após presenciar a cena Nietzsche perdeu o controle de suas faculdades mentais e viu-se incapaz de se relacionar com o mundo exterior. Bela Tarr lança luz sobre o que teria acontecido ao cavalo depois da intervenção do filósofo, já que nada mais se soube sobre o animal.
Ao construir o universo hermético no qual supostamente viviam o cocheiro e sua filha, os donos do animal, Tarr aproxima a reclusão à qual se projetou Nietzsche ao isolamento que pontua os dias de poucos movimentos dos dois camponeses que habitam o pequeno casebre localizado em um ponto perdido do mapa. A casa possui apenas um cômodo, e a câmera desliza pelo espaço de forma tão envolvente que mal notamos a ausência de espaço. Pai e filha quase não se movem, quase não falam, interagem entre si sem olhar nos olhos um do outro e repetem os mesmos gestos ao longo dos dias, mas o ponto de vista da câmera, sempre à procura de outra maneira de se relacionar com os personagens e auxiliado por um deslumbrante preto-e-branco, nos dá a sensação de que cada movimento possui algo de original, pronto a ser descoberto. Talvez essa opção, marca estética do cinema do húngaro, seja a escolha ideal para lançar a ideia de que o esvaziamento da ação não pressupõe ausência de movimento, e da mesma maneira que existe ação na imobilidade dos personagens que se arrastam pela casa, existiu intensa produção de pensamento no cérebro de Nietzsche durante seus dias de incomunicabilidade. A casa como metáfora da cabeça, o movimento (e não a ação) como condição intrínseca ao pensamento. Ainda sem conhecer a fundo sua filmografia (além deste, só assisti O Tango de Satã, que mesmo com suas dificuldades de comunicação vale a carreira de vários cineastas medíocres), é revigorante ser contemporâneo e poder presenciar o acontecimento de obra tão intensa e descrente quanto O Cavalo de Turim.
Inquietos, de Gus Van Sant (2011)
Conciliando obras com maior apelo comercial e outras de caráter plenamente desafiador, Gus Van Sant oscila como alguém que se propõe versátil ao transitar com naturalidade entre posições estéticas que nos últimos anos vêm travando um confronto público entre si. Se em Last Days há a investigação do espaço através de uma dilatação do tempo que beira o insuportável (e por isso soa extremamente provocador), Milk apresenta um cineasta disposto a dialogar com um público menos afeito a experimentação, soando até careta em certos momentos ao falar de um período histórico que combatia justamente a caretice de uma geração. Inquietos, seu novo filme, abre mão de qualquer pulsão possível tanto na forma como no conteúdo para narrar uma história de desajuste e solidão, temas recorrentes em sua filmografia. Nada parece funcionar, e mesmo o diálogo mais brando entre o casal aparece diluído, sem graça. Os atores se esforçam para garantir alguma consistência aos personagens, mas o filme dá sinais claros de que nem o próprio cineasta acredita no que está fazendo. Em vários momentos soa preguiçoso, com um uso excessivo e óbvio de planos e contraplanos, parecendo ser o resultado de um laboratório de direção inspirado na estética de Gus Van Sant. Não há o mínimo interesse em contornar os clichês mais desgastados do romance juvenil, e beira o constrangimento o uso da trilha sonora como forma de nos convencer de que há ali uma carga de vida que a debilidade das imagens, sempre muito plásticas e insípidas, não foi capaz de ressaltar. Parece até o último filme do Matheus Souza, ao qual eu tive o desprazer de assistir ao primeiro corte. O discurso dos filmes de Van Sant versa em grande parte sobre questões que enlaçam o imaginário dos jovens em um mundo destituído de sentido, o que muda é o enunciado do qual o cineasta se vale para engendrar seus tratados. Em alguns, veste-se como um rebelde, transgressor, desrespeitoso às convenções; em outros, como uma menina de 13 anos que só usa rosa e se relaciona com o mundo de dentro de uma bolha. Inquietos, apesar do título, está neste último grupo, por isso é tão frágil e despido de relevância. Espero que não demore muito para que a bolha estoure e as roupas sejam lançadas violentamente pela janela. Já é hora de voltar ao cinema.



 


é isso aí, bicho

 

15.10.11


[3:16 AM]

Ainda Drive: revendo pude perceber melhor alguns detalhes que evidenciam o reprocessamento de referências que faz com que alguns o comparem com Tarantino, o que apenas enriquece seu tecido narrativo (não a comparação, mas as fontes nas quais bebe e as apropriações que faz delas). Um dos meus aspectos preferidos no filme é a violência à luz do sol, durante o dia, na contramão da convenção que reserva a ação para as madrugadas e noites desertas. Aqui não, violão. Duas das mais poderosas sequências de assassinato do filme são banhadas por raios solares (o desfecho de uma delas, inclusive, se dá para nós por meio das sombras projetadas na calçada), o que me remeteu imediatamente a Halloween, de John Carpenter, o primeiro filme do qual me lembro em que o assassino ataca em momentos inesperados do cotidiano e também durante o dia (alguém lembra de outros filmes? Aliás, ainda tem alguém aí?). A máscara de dublê que remete a Mike Myers e as facadas apenas confirmam a hipótese dessa poderosa releitura.

Outro aspecto que muito me interessa é o descortinamento gradual de um microcosmo que revela camadas sórdidas e envoltas em vícios, como se as aparências fossem falsos invólucros (e a própria personalidade impassível do motorista, num primeiro momento, parece não corresponder às atitudes agressivas que ele assume mais à frente). Descobre-se, após o contato inicial, que a vizinha delicada é casada com um presidiário e que o dono de uma pizzaria tem ligações insidiosas com a máfia. Ou seja, só faltou mesmo encontrar uma orelha podre no jardim, já que o discurso de que nada é de fato o que aparenta ser dialoga fortemente com a mesma intenção de revelar as entranhas do submundo e suas relações com o habitual no Lynch de Veludo Azul (e em praticamente todos seus outros filmes). Há também o acordo final numa mesa de restaurante, cerimônia eternizada por Coppola em O Poderoso Chefão.

O Paolo disse que a cena do assassinato no mar o lembrou muito Abel Ferrara, mas ele não se recorda do filme e eu nunca assisti, porque não me lembro de cena semelhante no que já vi do Ferrara. Aliás, uma pena seu último filme ter sido cancelado no Festival por problemas na cópia. O Ricardo fez ligações com Steve McQueen e apontou a cena posterior ao tirambaço no banheiro do hotel, em que Ryan Gosling aparece com o rosto ensangüentado e sai lentamente de quadro, com o Charles Bronson d’um filme que não me lembro. E há ainda Adam Siegel, produtor do longa, cujo sobrenome entrega possíveis ligações perigosas com outro cineasta de responsa. Ou seja, um híbrido de boas referências que dialogam diretamente com a estética e o gênero de Drive, mas que denota a inteligência de Nicolas Winding Refn para muito além da simplificação ou da citação, buscando a aproximação como forma de garantir consistência a uma nova forma de criação intensificada também pela recorrente quebra de expectativas: o já citado estacionamento do carro como forma de fugir dos tiras; a farda policial e a subseqüente subversão de seu significado; o telefone que toca e não é atendido e a batida na porta que revela a ausência. A revisão segurou muito bem a onda. Continua um filmaço.

As Canções, de Eduardo Coutinho (2011)
A canção que mais me marcou em um filme do Coutinho foi “Me and Bobby McGee”, da Janis Joplin, pela inserção inesperada logo no início de Babilônia 2000, quando cantada por uma moradora louca e alto astral do Morro da Babilônia. Seu uso revela o método usado pelo cineasta para projetar um imaginário nacional por meio de dispositivos comuns coletivos: a religião, o bairro de Copacabana, a vida no sertão e, agora, as canções. O que interessa a ele neste novo filme é um diálogo com as emoções que despertam a memória das pessoas através da música. Por isso, estamos falando tanto de música quanto de memória, e em quase todos os casos estas são lembranças de amores fracassados e desilusões marcadas por melodias. Mas quase não há música de corno, nem mesmo as inevitáveis do Roberto Carlos. O que há são pessoas se abrindo intimamente diante da câmera, cantando sem restrições e lembrando histórias de outrora, sempre provocadas pelas intervenções de Coutinho. O que, admito, me frustrou um pouco, principalmente depois das potentes investigações de linguagem propostas por Jogo de Cena, Moscou e até mesmo pela ousadia de Um Dia na Vida. Quando ele esteve no cineclube do qual faço parte, há uns dois meses, mencionou que queria voltar a fazer filmes simples e que inclusive já tinha um pronto – no caso, este. Na hora quis perguntar se sua pulsação inventiva ainda teria caminhos para desbravar, mas preferi assistir ao filme antes para não parecer presunçoso. O que As Canções mostra é que Coutinho retornou a uma zona de conforto e que continua a ter uma habilidade incrível para se comunicar com os mais diversos tipos de pessoas, mas este retorno revela também que seu cinema ficou grande demais para a fórmula que o consagrou, e por isso pede mais, parece não se contentar com o mesmo. O desgaste é evidente, mas Coutinho é forte até quando se repete, como grandes gênios de outros ofícios. É o mesmo que explica, por exemplo, o fascínio que João Gilberto ainda causa quando grava em disco, quarenta anos depois, “Chega de Saudade”.



 


é isso aí, bicho

 

14.10.11


[10:46 AM]


Drive, de Nicolas Winding Refn (2011)
Foi este, e não Malick, Von Trier, Moretti ou mesmo o nosso
Trabalhar Cansa, o filme que mais me interessou a partir das impressões de críticos que costumo acompanhar após sua passagem por Cannes há uns meses. Grande parte das resenhas fazia referência à câmera lenta usada com inigualável senso de ritmo por Sam Peckinpah, à brutalidade de Charles Bronson e aos policiais norte-americanos da década de 1970. Era o suficiente. Não tive medo das expectativas. O filme está mesmo à altura de todo o entusiasmo crítico e do prêmio de melhor direção vencido na Riviera Francesa por Nicolas Winding Refn. O eixo central da narrativa está no atrito derivado dos movimentos de ação e retração do personagem principal. Ryan Gosling interpreta um dublê e motorista que diz uma dúzia de frases ao longo do filme, mas resolve todos os problemas que encontra à frente com seu silêncio implacável. Não há psicologismos e nem intenção de construir uma personalidade compreensível. Não sabemos quem é aquele sujeito, de onde veio e muito menos quais seus objetivos. O que marca suas atitudes é um individualismo frio, que esmorece apenas quando conhece a vizinha interpretada por Carey Mulligan.
Há uma habilidade na maneira com que o filme trabalha o manual do gênero, buscando esquivar-se de soluções óbvias, que ressaltam o primoroso equilíbrio entre altas doses de violência com a tensão de dois corpos que se atraem desde o primeiro encontro (Samuel Fuller?). As fórmulas são reinventadas: logo no início, ao invés de acelerar para fugir do cerco policial, a mais usual das resoluções, o motorista simplesmente encosta o carro e desliga o motor, perturbando nossas expectativas no canto escuro da rua. As hesitações da vizinha quando o encara contrastam violentamente com uma cabeça sendo esmagada por chutes dentro do elevador, e é a mão do diretor que conduz toda a narrativa com a segurança de quem sabe o que está fazendo, costurando antagonismos (luz e sombra, barulho e silêncio, dia e noite, cúmplice e protagonista) e erguendo um vigoroso painel urbano onde a integridade pessoal é o mais valioso dos bens. Há também um quê de
Taxi Driver, do compromisso honroso em aceitar um trabalho para proteger a inocência diante de uma sociedade corrompida. Vou rever hoje, mas desde Os Donos da Noite, de James Gray, não assistia nada tão impactante em uma sala de cinema. Com sangue, suor e sem perder a classe.

Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca (2011)
Como a maioria dos filmes assinados por Brant, a primeira meia hora dá sinais de que estamos diante de algo vibrante, contemporâneo, mas não demora para que o filme se desinteresse pelo que vinha apresentando de mais envolvente, desvencilhando-se dos riscos delineados por conflitos que não os meramente amorosos num cenário de grande riqueza cultural, geográfica e política como o estado do Pará. Há uma série de encontros e problematizações que o filme não faz questão de acompanhar (o pistoleiro, que não tem função nenhuma dentro da narrativa; os dois amantes, que se encontram uma única e inexpressiva vez; o estrangeiro e os locais, uma relação que é praticamente inexplorada), firmando-se sobre o triângulo apaixonado entre uma ex-prostituta, um fotógrafo e um pastor evangélico. Quando abandona todo o pulsante cenário de Santarém, no Pará, com suas cores intensas capturadas num tom quente, e volta para a metrópole, tão cara à obra de Brant, a coisa degringola e até Camila Pitanga, um vulcão em erupção e mais suculenta que nunca, atinge níveis de histeria que só se agravam até o final. Minha impressão é que se assumisse os riscos de colocar em crise os conflitos secundários que apresenta sem desenvolver teríamos uma obra mais forte, com algo a dizer. Do jeito que está é só mais uma história de amor, com uma atriz entregando-se em carne viva para dois diretores que, justificadamente, mostram-se hipnotizados por seu corpo. Ainda assim, o melhor filme de Beto Brant nos últimos tempos continua sendo
Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca.

Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin (2011)
Gosto de entrar no cinema sabendo o mínimo possível sobre o filme, e o título deste aqui logo me fez imaginar uma história envolvendo travestis e manicures desempregadas do subúrbio norte-americano (premiado em Sundance, sabe como é). Mas o filme vai para outro caminho, diametralmente oposto, e o título joga metalingüisticamente com a personalidade nebulosa de uma garota que entra em crise após fugir de uma seita ao estilo Charles Manson com sexo, jovens e violência. A montagem intercala tempos diferentes por meio de transições espertas, bem colocadas, e às vezes um único movimento de câmera no mesmo cenário trabalha em paralelo dois momentos distintos, uma fricção constante entre passado e presente filmada com certa dose de calculismo que não permite erros. É em função dessa matemática exigente que a direção acaba assumindo uma frieza em relação ao que é mostrado, o que potencializa o filme em alguns momentos (a principal cena de violência, por exemplo) e o enfraquece em vários outros (quase todas as cenas com a irmã e o cunhado). Mas é bom ficar de olho em Sean Durkin, é provável que venha coisa boa por aí.




 


é isso aí, bicho

 

 


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