qualquer coisa
num verso intitulado mal secreto
 

31.1.10


[4:46 AM]


Você traz a Coca-Cola, eu tomo
Você bota a mesa, eu como
Eu como, eu como, eu como, eu como
Você



 


é isso aí, bicho

 

29.1.10


[3:27 AM]


"Certa noite, faz uns vinte anos, durante um surto de caxumba em nossa imensa família, minha irmã caçula, Franny, foi transferida com berço e tudo para o quarto obviamente não contaminado que eu repartia com meu irmão mais velho, Seymour. Eu tinha quinze anos; Seymour, dezessete. Por volta das duas da madrugada, fui acordado pelo choro insistente da nova companheira de quarto. Continuei deitado por alguns minutos, sem me mexer, ouvindo o berreiro, até que escutei ou senti que Seymour se movia na cama ao lado. Naquela época, mantínhamos uma lanterna na mesinha-de-cabeceira entre os dois para alguma emergência que, tanto quanto me recordo, jamais ocorreu. Seymour acendeu-a e levantou da cama. 'Mamãe falou que a mamadeira está no fogão', avisei a ele. 'Já dei para ela agorinha mesmo', disse Seymour. 'Não está com fome.' Caminhou no escuro até a estante e varreu lentamente as prateleiras, para um lado e para o outro, com a luz da lanterna. Sentei-me na cama. 'O que é que você vai fazer?', perguntei. 'Acho que ler alguma coisa para ela', respondeu Seymour, pegando um livro. 'Ah, essa não', eu disse, 'ela tem dez meses!' 'Eu sei, mas os bebes têm ouvidos. Podem ouvir.'"

E quem mais quiser, também pode. Esse é o primeiro parágrafo de Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira & Seymour, Uma Apresentação, cuja transcrição é a homenagem deste singelo casebre ao homem que me manteve acordado durante várias madrugadas com suas confissões ficcionais e que ontem se retirou definitivamente para o conforto da posteridade, J. D. Salinger (1919-2009).



 


é isso aí, bicho

 

27.1.10


[4:11 AM]

Como forma de alimentar essa minha mania barata de pensar as coisas através da comparação, me propus assistir em sequência dois filmes de diretores diferentes que tratam do mesmo tema: a desintegração do homem em função do alcoolismo. Para isso, convoquei Farrapo Humano, de Billy Wilder, e Vício Maldito, de Blake Edwards, com seu melancólico e chuvoso título original: Days of Wine and Roses.
Billy Wilder era um sacana. Exímio roteirista, dos mais virtuosos que Hollywood já assistiu, o cara trafegou com a maior naturalidade por uma pá de gêneros e saiu imune e com uma obra-prima embaixo do braço a partir de cada um deles: o noir, a comédia, o drama, a guerra, o romance e aqueles que misturam vários desses elementos no mesmo balaio.
Farrapo Humano aparece logo depois de Pacto de Sangue, filmaço que Wilder co-escreveu junto com Raymond Chandler, escritor a quem à época se atribuía um comportamento sorumbático e autodestrutivo em função da sua intimidade com a bebida. Alguns encaram Farrapo Humano como um retrato de Chandler sob a ótica de seu antigo companheiro de escrita.
Ancorado num texto primoroso e recheado de monólogos perspicazes (“Shakespeare deve ser visto com o estômago vazio”), revelando o típico humor dos melhores bebuns, Wilder descortina um mundo de animosidade por trás do gole que puxa outro e termina derrotado no fundo do poço do balcão. O tom vai ficando mais pesado à medida que se aproxima do clímax, em que o ultimato é dado ao protagonista e o diretor, sem apelar para gratuidades ou lições bobas de moral, termina o filme no momento decisivo da vida de seu alcoólatra: quando este assume sua condição e se dispõe a mudar a rota dos acontecimentos que estão por vir. O primeiro passo foi dado, mas a inconclusão do desfecho deixa o filme em aberto e mostra com clareza a visão de Wilder sobre o tema.
Já Blake Edwards vai mais fundo no tema ao narrar a desintegração familiar de um casal que começa unido bebendo socialmente e termina afogado (com trocadilho) em ruínas, ele em abstinência forçada e ela recusando-se a assumir seu vício. Embora os cortes temporais abruptos destoem ligeiramente da narrativa tipicamente convencional (em um momento vemos Joe amarrado numa clínica e na cena seguinte ele já está em casa, sóbrio), criando um certo desconforto em relação ao andamento do filme,
Vício Maldito traz atuações amarguradas de Jack Lemmon e Lee Ramick e mostra que o caminho pautado pelo álcool às vezes pode ser irreversível. O belo plano final, em que Jack Lemmon observa sua indomada esposa ir embora sem aceitar o tratamento, é tristíssimo, de encher os olhos.





 


é isso aí, bicho

 

23.1.10


[3:28 PM]

Um barato o novo show do Gilberto Gil registrado em DVD, o Bandadois, que usa um formato mais intimista, só voz e violões (Gil toca acompanhado do filho, Bem). O cenário é gélido, minimalista metálico e distante da plateia, sem calor, algo impessoal, e a voz do cara está cansada, não aguenta mais os decibéis extraordinários do falsete de Filhos de Gandhi, por exemplo. Quem se importa? Com sua habitual dose de carisma, basta entrar em cena para desmontar qualquer barreira que um terno preto impõe e transformar tudo em sorrisos e melodia. O repertório é aquela coisa, dá pra ir tranquilamente passar os dias de exílio na ilha de Santa Helena só ouvindo essas canções: Esotérico, Lamento Sertanejo (música de todos nós, Macabeus e Macabéas), Flora, Expresso 2222, O Rouxinol, Metáfora, uma linda interpretação a quatro mãos de Superhomem – a canção, A Linha e o Linho, Refavela, Pronto pra Preto, e uma belíssima, talvez a mais surpreendente do concerto, que permaneceu inédita até surgir agora na minha vida, depois de tanto tempo de toada, que se chama Das Duas, Uma. Descobrir uma canção é fazer um novo amigo, é ter a certeza de boa companhia para todo o resto da estrada, long and winding road, trazendo sílabas para o conforto do perto e do lado nos dias de ônibus ou numa andada pelo centro da cidade... e sempre. A letra fala sobre um amor que se inicia, ou que pretende se expandir através da confirmação da união através de um laço mais apertado - ao final, Gil dedica a música ao casamento da filha Maria. Confesso que não esperava que esse brilho de autêntica simplicidade poética ainda fosse capaz de jorrar da fonte do mestre, e foi preciso ouvi-la durante toda a madrugada para deixar de ser atrevido e nunca mais subestimar quem ainda me emociona.

Das duas, uma

Das duas, uma
Ou será pluma
Ou será pedra e pesará
Se forem hábeis e sábios e sãos
Serão amáveis e tempo terão
Pra fazer da vida a dois
Dois chumaços de algodão
E os frágeis cristais
Das aventuras
Encontrarão proteção e, quem sabe, quebrarão jamais.

Se porventura
A vida dura
Lhes for madrasta e voraz
Sejam capazes, audazes e bons
Façam das pazes noturnos bombons
E os percalços naturais
Farão parte da canção
Serão tropeços
E recomeços
Um a cada vez, cada mês
E vocês se acostumarão




 


é isso aí, bicho

 

22.1.10


[2:19 AM]


Os motivos que levam um escritor a cair de qualidade ao longo da vida podem ser vários: o natural peso da idade, o confronto com uma realidade que ele não mais domina, o embaralhamento mental de ideias fermentadas durante anos, a decadência do corpo, da sensibilidade, a falta de um contrato decente, a carência de mulheres gostosas na cama e até mesmo a noção de que ninguém mais está afim de ler seus livros.

Ao final de O Seminarista, último livro do meu conterrâneo Rubem Fonseca, começo a pensar que alguns dos males acima acorrentaram as veias criativas do velho fescenino e estão jogando uma pá de cal em seu raivoso e lacônico estilo de escrever. A despeito da temática violenta acerca do cotidiano de um matador profissional que luta para largar a profissão, é um livro quase infantil no modo de lidar com o desenvolvimento do enredo e com os mecanismos que utiliza em sua narrativa.

Toda a concisão urgente que se vê nos contos de Feliz Ano Novo ou Lúcia McCartney foi substituída por uma pressa que pretende se metamorfosear em elipse, dotando o livro de um ritmo invejável (li em menos de um dia), mas prejudicando o aprimoramento descritivo que seus romances outrora continham. Sem contar que o velho força a barra além dos limites do bom senso em algumas sequências: nomear dois personagens de Jackson e Maicon é de uma gratuidade pueril, assim como investir pesadamente nas infindáveis citações latinas que permeiam o livro.

Agosto e A Grande Arte continuam sendo meus romances preferidos deste que é um dos mais expressivos contistas brasileiros. Como estou empacado no meio da estrada de um calhamaço com quase 1000 páginas, resolvi me refrescar cedendo à infidelidade de respirar um estilo diferente, rápido e seco como um tiro de Glock. Agora, tratei de fazer as pazes e estou de volta à monogamia, enquanto O Seminarista está e continuará por muito tempo acumulando poeira na minha estante.




 


é isso aí, bicho

 

20.1.10


[2:41 AM]

A instabilidade é que dá o tom em Vício Frenético, um filme nervoso que oscila em suas diversas pulsações ao lançar um olhar ácido para os Estados Unidos do século XXI. Como que perfurada por uma lâmina afiada, que impede o repouso ou mesmo momentos de menor inquietude, a narrativa moldada por Herzog acompanha a trajetória de um policial cuja lei é reinventada diariamente de acordo com suas necessidades. Viciado em drogas, corrupto e inescrupuloso, o impulsivo e complexo tenente interpretado por Nicolas Cage vaga pela desordem da cidade revelando um painel de pequenos conflitos e relações tumultuosas, cujo ritmo truncado imposto por Herzog faz com que cada sequência soe como uma pontiaguda pedra no sapato.

O cenário é New Orleans, cidade norte-americana devastada pelo furacão Katrina, e embora isso não fique claro em momento algum, a inconstante relação entre homem e natureza, tema recorrente da filmografia de Herzog, dá algumas pistas de que a violenta manifestação natural acabou por atingir as estruturas sociais da cidade e potencializou a deformação do caráter de alguns de seus habitantes. Se o homem é o reflexo do lugar onde vive, o que esperar de um tira cercado por ruínas, sujeira, corrupção, agressividade animal e tensões de todos os tipos?

Vício Frenético, que sabiamente procura distância do filme homônimo dirigido por Abel Ferrara em 1992, mostra um olhar externo para um país cujas feridas aparecem cada vez mais expostas, seja em função de ataques terroristas, de governos despreparados, crises econômicas ou de perturbações climáticas. O que Herzog quer nos mostrar é que alguma coisa está fora da ordem. O que, propriamente, não se sabe.
Através de sequências poderosas, como a da extorsão do casal de jovens no estacionamento, cuja construção lida com a tensão de forma progressiva e magistral, é possível delinear um olhar para um homem em transe, com os instintos à flor da pele, recriando códigos morais à sua maneira e sem saber para onde ir, com o norte tão anuviado quanto o de seu próprio país.



 


é isso aí, bicho

 

19.1.10


[2:04 AM]


A foto de um homem sendo linchado nas ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti, me deixou arrasado. Nu, com as mãos e os pés amarrados, o homem é arrastado por uma corda enquanto os manifestantes o agridem e atiram coisas sobre ele. Logo depois, foi queimado vivo no meio da rua. Linchamento por roubo, segundo os jornais. É uma imagem chocante, não recomendada a ninguém, e mostra o caos que impera no país desde a devastação causada pelo terremoto que também vitimou alguns brasileiros. Uma manifestação agressiva da natureza e anos de evolução são reduzidos a uma mera lembrança, um vislumbre de razão que a fome e a dor tratam de varrer impiedosamente da memória.
A mesma sensação de desconforto, guardadas as devidas proporções, acontece ao final de Taxi Driver, quando o protagonista Travis Bickle é enaltecido socialmente por seu violento ajuste de contas, pela chacina que comete com o intuito de salvar uma menina de 13 anos. O filme é arrebatador, crônica desesperançada e amarga de um período que ainda vivia a ressaca da turbulenta década anterior e a reverberação de questões cruciais influenciando a formação dos norte-americanos: os direitos civis, a violência, o Vietnã, assassinatos, o fim do sonho, Nixon... Scorsese poucas vezes repetiu a dose à altura, mesmo tendo feito outros filmes tão impactantes quanto. Mas Taxi Driver me arrebata até o desfecho, quando os jornais (e, consequentemente, uma parcela da população) conferem a seu justiceiro um reconhecimento heróico por sua ação que soa como uma atitude permissiva, um formal pedido de desculpas da sociedade em função de toda a opressão contra o paranóico taxista. Tudo termina aí, na valorização do terrorismo, no renascimento da destruição como forma de uma poesia instintiva, absolvida de suas implicações e consequências, mesmo depois de tudo o que aconteceu? É a mesma náusea causada por O Cobrador, conto do Rubem Fonseca:
“Meu ódio agora é diferente. Tenho uma missão. Sempre tive uma missão e não sabia. Agora sei. Ana me ajudou a ver. Sei que se todo fodido fizesse como eu o mundo seria melhor e mais justo. Ana me ensinou a usar explosivos e acho que já estou preparado para essa mudança de escala. Matar um por um é coisa mística e disso eu me libertei. No Baile de Natal mataremos convencionalmente os que pudermos. Será o meu último gesto romântico inconseqüente. Escolhemos para iniciar a nova fase os compristas nojentos de um supermercado da zona sul. Serão mor¬tos por uma bomba de alto poder explosivo. Adeus, meu facão, adeus meu punhal, meu rifle, meu Colt Cobra, adeus minha Magnum, hoje será o último dia em que vocês serão usados. Beijo o meu facão. Explodirei as pessoas, adquirirei prestigio; não serei apenas o louco da Magnum.”
Uma leitura mais desvinculada de fatores externos dessa conclusão ainda há de aparecer. Por enquanto, o espaço fica repleto de indagações morais e pensamentos tortos, enquanto ando de ônibus imaginando um macabro paralelo em que os linchadores do Haiti seriam exaltados por darem conta da repressão que a justiça ou a polícia local não foram capazes de cumprir. Não há comida, não há lei, tudo aponta para o mais selvagem dos primitivismos, e o estado em que as coisas chegaram me espanta, me entristece. Isso acontece em todo lugar, em todo país e com várias pessoas, diria o mais racional dos presentes à mesa. Eu sei. Mas eu também queria que, pelo menos no cinema e na literatura, as coisas pudessem ser diferentes.



 


é isso aí, bicho

 

16.1.10


[2:25 AM]

One day I had to leave my country, calm beach and palm tree...
That day I couldn't even cry
And I forgot that outside there would be other men
But today, but today, but today, I don't know why
I feel a little more blue than then
The day Carmen Miranda died
They put a photograph in the magazine
Her dead mouth with red lipstick smiled
And people cried, I was about ten
But today, but today, but today, I don't know why
I feel a little more blue than then…
One morning they came around to take to jail
I smiled at them and said – all right
But alone in that same day's nigth I cried and cried again
But today, but today, but today, I don't know why
I feel a little more blue than then…
One night I saw a Mexican film
These twin brothers tryed to kill each other
She opened her arms and got two bullets
And died sweetly without a sigh
But tonight, but tonight, but tonight, I don't know why
I feel a little more blue than then
One day I went down to the underground but
I missed the last train
And now that I'm just looking around
I feel a little more blue than then
Looking around…
I don’t know why
I feel a little more blue than then…



 


é isso aí, bicho

 

8.1.10


[3:59 PM]

É Proibido Fumar é o elogio da simplicidade, uma conversa de nostalgia cuja trilha sonora são os estalidos que saem do toca-discos de um romance desajeitado, desencanado de grandes e pretensas decisões. Alto astral, é, acima de tudo, um filme que acredita nas pessoas. O ponto mais alto de um dos pontos mais altos da carreira de Woody Allen se dá na seqüência final de Manhattan: “Você precisa ter fé nas pessoas”. E Anna Muylaert tem. Seu filme comprova essa visão otimista. Apesar da falta de dinheiro, de perspectiva, de amores e de um sofá mais bonito para a sala, a gente vai levando.

A segunda parte de Durval Discos (ou o lado B daquele velho LP) se entregava sem medo a uma aventura escapista, encorajada pelo desejo de desbravar um perímetro inabitado e por desafiar certas convenções que amargavam grande parte do que víamos nas telas brasileiras. Já anunciava a coragem da diretora em se jogar junto com sua adorável comédia de costumes num abismo escuro cujo paradeiro final era desconhecido. Ninguém sabia onde aquilo ia dar.

E acabou dando em É Proibido Fumar, a evolução e o amadurecimento de uma carpintaria que preza pelo disfarce do requinte, contribuição das mais valiosas em um cenário que valoriza o excesso e descarta as possibilidades de subversão através da sutileza. O carinho com que Muylaert constrói o espaço para depois entregá-lo a personagens cotidianos, sem arroubos de extravagância ou frases proféticas de sindicalismo é o que move seu filme, dá a ele o coração, o cérebro e o cimento necessários para construir a ponte entre o autor e o público.

Para além de recuperar a fé nas pessoas, É Proibido Fumar faz com que voltemos a acreditar nas possibilidades de um cinema nacional de qualidade.



 


é isso aí, bicho

 

 


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